Terrorista idiota


Terrorista idiota

Gutemberg M. Tavares*

Sou eu hoje o Osama Bin La-den, um idiota terrorista. Consto como o primeiro na lista dos malfeitores mais procurados do mundo. Interpol, Scotland Yard, Mos-sad, FBI, CIA e até a PF brasileira estão à minha captura.

Me escondo, fujo. Moro no Paquistão, numa simples ‘mansão’. Estou escondido sem a legião que me protege, morreria por mim. Os Estados Unidos chegam a meu esconderijo. Estou desarmado, não há minas em volta de minha casa, não gosto de bombas.

Não há forte artilharia, fuzil, C4. Não tenho um serviço de inteligência. Fui treinado, financiado pelos hoje meus inimigos para combater o exército socialista russo, onde modéstia à parte obtive êxito, mas não sei da capacidade técnica militar dos Estados Unidos.

Desde agosto de 2010 os EUA sabiam de meu paradeiro, mas do meu lado ninguém suspeitou da operação deflagra em 2 de maio.

Prenderam alguns homens de minha confiança. Eu não sabia que os agentes inimigos os torturariam até que contassem meu paradeiro. Sossegado, continuei no mesmo local por cerca de 8 meses, à espera. Em volta de meu casebre não havia câme-ras que indicassem qualquer movimentação.

Eles me matam. Só a mim. Não prendem ninguém. “Só interessa o Bin Laden, o restante pode sair”, yankees de farda preta.

Obama não preferiu me levar ao tribunal Norte Americano, onde esperaria até o próximo ano para ouvir a sentença. Ano eleitoral – simplesmente me joga no mar, morto. Quase esqueço, apreenderam meus computadores.

Obama decidiu não me usar melhor como trunfo eleitoral. Imagina se ele teria a capacidade de dizer, num daqueles discursos para milhões de Democratas, que até Republicanos assistem: “faremos com este terrorista sanguinário, a vontade da pátria, do povo americano”.

Sou humilde, e não sou radical. Acha que estaria nos QG’s da Al-Quaeda, àqueles que as forças inimigas nem conhecem, onde ainda sobrevivem os que lutam na Guerra Santa? Lógico que não. Os meus amigos Xei-ques, Príncipes e Reis. Morar naqueles castelos adornados a ouro é contra meus princípios. Prefiro a periferia.

Posso até ter morrido, mas são tantas dúvidas. Será que morri mesmo, ou foi teatro, igual às desculpas de Bush para tomarem o Iraque? Invadir minha casa, me matar, não apresentar meus aliados presos ou mortos na operação, não me mostrar como troféu ao mundo, me jogar no mar, que mar, que lugar? Hun… isso gera tanta dúvida.

Foi melhor assim. O mundo está livre de mim e eu do mundo

Bem, de qualquer forma foi melhor assim. O mundo está livre de mim, eu do mundo. Fiz minha parte, agora estou aposentado, só não sei se no céu, inferno, oceano ou paraíso.

A história de meu crepúsculo ainda vai dar um belo documentário. Talvez até ganhe o Oscar de melhor Doe, como ‘Um Táxi Para a Escuridão’ que levou a estatueta em 2008. Talvez as revelações sejam ainda mais bombásticas.

Nota do autor: penso que Osama Bin Laden deveria ter sido preso, levado à Corte e sofrer as sanções que as leis dos países em que ele ceifou vidas prevêem. Se na operação de sua captura houve resistência revidar seria legítimo, porém, de maneira transparente ao mundo, a imprensa.

‘Gutemberg M. Tavares é jornalista.

[matéria retirada : Folha Metropolitana,  segunda-feira,9 de maio de 2011-ano 39. nº11709]

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